Comunicações cifradas e prova digital

Uma parte crescente dos processos europeus assenta em material obtido de plataformas de comunicação cifradas, intercetado num país e transferido para outro. A utilizabilidade desse material é uma questão autónoma, e é onde a defesa tem mais terreno.
O que se discute
- Com que instrumento a informação foi transferida entre Estados.
- Sob que direito foi obtida na origem, e se o método seria admissível aqui.
- Que autorizações existiam, e em que datas.
- Qual a cadeia de custódia desde a captação até à junção aos autos.
- O que foi entregue à defesa para poder verificar tudo isto.
O último ponto é o mais forte. Se a defesa não recebeu o suficiente para verificar como o material foi obtido, isso é em si um argumento — e vale mais do que discutir o conteúdo das mensagens.
A quem pertence a conta
Um identificador numa plataforma não é uma pessoa. A atribuição faz-se por elementos externos: dispositivos apreendidos, pagamentos, ligações temporais com deslocações, coincidências com outras comunicações.
Cada um desses elementos é discutível separadamente, e a acumulação não os torna fortes, conforme o guia sobre a prova.
Extratos e conversa completa
O que chega aos autos são fragmentos selecionados. O pedido que mais muda estes processos é a junção da sequência completa, porque o contexto anterior e posterior diz frequentemente outra coisa que o extrato.
Dados apagados e recuperados
A recuperação de conteúdo apagado levanta questões técnicas próprias: com que ferramenta, com que fiabilidade, e se a datação atribuída é verificável. Um conteúdo recuperado sem datação fiável tem valor muito menor do que o que a acusação lhe atribui.
Se o processo assenta em prova digital
O acesso ao material técnico pede-se cedo e é a primeira coisa a fazer. O primeiro contacto é gratuito e confidencial.
Frequently asked questions
O material de uma plataforma cifrada é utilizável?
É uma questão autónoma: instrumento de transferência, admissibilidade do método aqui, autorizações e cadeia de custódia.
Identificaram-me por um identificador.
Um identificador não é uma pessoa. A atribuição faz-se por elementos externos, e cada um é discutível separadamente.
Juntaram só algumas mensagens.
Peça a sequência completa. O contexto anterior e posterior diz frequentemente outra coisa que o extrato selecionado.
Recuperaram mensagens apagadas.
A recuperação levanta questões técnicas: ferramenta, fiabilidade e datação verificável. Sem esta, o valor é muito menor.
